Eu acho que o ano era 1977 e eu tinha 14 anos... nossa, isso foi no século passado! Mas o que eu posso fazer, atravessei os séculos, acho tão emocionante lembrar da queima de fogos que foi passar de um século para outro... e era verão, férias de janeiro, e estávamos na praia, eu e minha mãe. Meu pai não estava de férias, mas esteve conosco nos finais de semana daquelas férias.
Nas refeições, minha mãe fazia pastas incríveis, pois ela dizia serem mais fáceis, de forma que, a refeição era resolvida rapidamente. Muito próximo do apartamento que ficávamos, havia uma quitanda, com verduras e frutas, era quase um mercadinho, com coisinhas de urgência para turistas, tais como, sal, açúcar, leite, detergente, etc. E lá minha mãe comprava as verdurinhas para compor as nossas refeições, pois a pasta tinha que ser, além de fácil, saudável.
Meu pai, nem tanto querendo fugir da cozinha e nem tanto preocupado com delícias saudáveis, gostava de preparar um peixe seco e defumado, perfeitamente delicioso, muito bem azeitado, com anéis de cebola e salsinha, para comer com pão italiano e uma cerveja impecavelmente gelada, daquelas com veuzinho branco na garrafa, que só se pode pegar pelo gargalo, caso contrário, o líquido instantaneamente congela.
O tal peixe tão desejado, é o arenque. Eu amo arenque, um dos meus aperitivos prediletos e acho mesmo saudável. Claro que aprendi a preparar arenques na versão aperitivo com meu pai, é só clicar na imagem para ver a receita:
No final da tarde, depois da praia, já arrumadas para um passeio na orla, também encontrávamos Ana Maria e a sua família. Depois de muito caminhar, as mães procuravam bancos para sentar, descansar e continuar a conversa, com os filhos por perto. Foram férias tranquilas, aproveitamos muito e um dia antes de voltarmos para casa, despedimo-nos de Ana Maria e sua família, com muitos abraços e sorrisos, agradecidas pela boa amizade.
Eu e Ana Maria trocamos endereços e fizemos a promessa de continuar a nossa amizade, escrevendo cartas. A família de Ana Maria não morava na cidade de São Paulo, viviam do interior do estado, em Itu - cidade famosa por tudo ser de tamanho exagerado.
Estive em Itu em novembro de 2012, mas não encontrei Ana Maria, nada mais sei sobre esta amiga. Vejam na foto, eu estou embaixo de um orelhão gigante. Os orelhões servem para proteger os telefones públicos, mas penso que estão sendo extintos, por conta dos celulares ou telemóveis.
Entretanto, Ana Maria foi uma das pessoas que fez parte da minha 'Lenda Pessoal', em uma época que receber cartas era um evento na vida, pois havia uma emoção chamada surpresa. As surpresas servem para nos encantar, puro alimento para a vida, especialmente, aquelas imantadas com alegria, amizade, saudade, amor, paixão, segredos, etc ...
Gosto de como 'Paulo Coelho' escreve sobre 'Lenda Pessoal' no seu livro 'O Alquimista': "A lenda pessoal é aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual é sua lenda pessoal.
Nesta altura da vida, tudo é claro, tudo é possível, e não temos medo de sonhar e de desejar tudo aquilo que gostaríamos de fazer. Entretanto, à medida em que o tempo vai passando, uma misteriosa força começa a tentar provar que é impossível realizar a Lenda Pessoal.
Esta força que parece ruim, na verdade está ensinando a você como realizar sua Lenda Pessoal.
Está preparando seu espírito e sua vontade, porque existe uma grande verdade neste planeta: seja você quem for, quando quer com vontade alguma coisa, é porque este desejo nasceu na alma do Universo. É sua missão na Terra."
... as cartas não eram como os e-mails, que estamos acostumados a receber todos os dias e que temos acesso a qualquer momento. Não sabíamos quando receberíamos uma carta, nem o dia certo, mas sabíamos esperar por uma carta. Este esperar era pura emoção, repleto de encanto e motivação.
O que eu mais gostava e jamais posso me esquecer, não era o momento em que eu pegava a carta na caixa do correio, no portão da minha casa ...
...eram os instantes antes de abrir a carta... podem me entender? Naqueles instantes, o coração batia acelerado! É como o beijo, que é tão desejado, mas nada comparado ao instante antes do beijo, aquele em que os olhos vão direto para a boca a ser beijada. Claro, que beijar é maravilhoso, mas não é do beijo que eu falo e nem da carta recebida e lida, é da emoção que começa em instantes prévios - que antecede ao principal. Aqueles instantes ínfimos em que o tempo pára, que parecem mais um vórtex no tempo - encontro ente o tempo e o espaço, talvez um portal. Depois somos puxados pelo velho e bom tempo, que volta a correr, e então o beijo é beijado e os olhos são fechados, a carta é lida e o coração já entra em tempo de bater no compasso da normalidade... normalidades geralmente acabam por ser chatas, quando comparadas ao bater acelerado de um coração. - Foto by Facebook - Clique aqui!
...eram os instantes antes de abrir a carta... podem me entender? Naqueles instantes, o coração batia acelerado! É como o beijo, que é tão desejado, mas nada comparado ao instante antes do beijo, aquele em que os olhos vão direto para a boca a ser beijada. Claro, que beijar é maravilhoso, mas não é do beijo que eu falo e nem da carta recebida e lida, é da emoção que começa em instantes prévios - que antecede ao principal. Aqueles instantes ínfimos em que o tempo pára, que parecem mais um vórtex no tempo - encontro ente o tempo e o espaço, talvez um portal. Depois somos puxados pelo velho e bom tempo, que volta a correr, e então o beijo é beijado e os olhos são fechados, a carta é lida e o coração já entra em tempo de bater no compasso da normalidade... normalidades geralmente acabam por ser chatas, quando comparadas ao bater acelerado de um coração. - Foto by Facebook - Clique aqui! Lembram do costume de secar flores dentro de um livro, para depois arrumar entre as folhas das cartas, já dobradas, então meter em um envelope e presentar o destinatário/a? Eu sequei muitas flores nos livros, algumas até foram marcadores de páginas, por tempos e tempos. As vezes, algumas folhas dos livros, ficavam manchadas pela umidade das flores... pena que na minha lenda pessoal, este hábito de secar flores entre as folhas dos livros, acabou-se perdido...
Foto by 'lindatoigo'
Outro dia eu fiz uma pasta, um espaguete bem parecido ao que a minha mãe fez naquelas férias, no século passado ahahaha... e que fez tantas outras vezes e tempos, da minha lenda pessoal. As memórias vivas me levaram ao instante em que fomos, juntas, ao mercadinho ao lado do apartamento da praia, comprar brócolis frescos. As mesmas memórias, de tão vivas, me levaram também até ao tio da minha mãe, Rutílio era o seu nome. Ele era o proprietário do apartamento da praia e, gentilmente, oferecia a hospedagem para as sobrinhas queridas.
250 gramas de espaguete de grano duro,
1 maço de brócolis, escolhido, higienizado e cozido no vapor, no ponto al dente - separar os floretes dos talos, alguns talos com folhas, os mais bonitos, eu costumo usar, cortando em tamanho menor,
8 azeitonas grandes, gosto da azapa - descaroçadas e cortadas em 3 fatias,
1 colher de alcaparras,
4 filés de alici, escorridos e enxutos com papel toalha - cortados grosseiramente,
2 dentes de alho grandes - cortados em fatias finas,
azeite, flocos de pimenta calabresa, orégano, sal e pimenta preta para ralar na hora.
Fácil e rápido!
Leve uma panela com água abundante ao fogo alto. Quando ferver, junte um punhadinho de sal grosso, misture, espere levantar fervura novamente e mergulhe o espaguete. Não use nenhuma gordura na água, nem azeite. Não é necessário, basta apenas água em grande quantidade, salgada como a água do mar e mexer a pasta algumas vezes. Siga cozinhando o espaguete, em fogo médio, até 2 minutos antes do tempo de cozimento indicado na embalagem. A pasta terminará o cozimento na panela com o molho de brócolis e temperos, portanto, deve ser retirada da água fervente muito al dente, para não ficar mole e perder o ponto.
Enquanto o espaguete cozinha, em outra panela, aqueça 4 colheres de azeite de oliva de boa qualidade, junte os alhos, os filés de alici, os flocos de pimenta calabresa e salteie por alguns minutos. Com a ajuda da colher, desfaça os filés de alici no azeite quente. Toda esta etapa é muito rápida. Cuide para que os alhos não dourem exageradamente, pois ficarão com um sabor amargo. Algumas pessoas gostam do alho bem escurinho, fica a seu gosto, pois é o que de verdade importa.
Junte na mistura de temperos com o azeite, os floretes e talos de brócolis, as azeitonas e as alcaparras. Salteie por alguns minutos, envolvendo bem toda a mistura. Salgue a gosto, cuidado pois azeitonas, alici e alcaparras são salgados. Rale um pouco de pimenta preta.
A esta altura, a pasta já deve estar no ponto muito al dente. Com um pegador, retire em etapas, todo o espaguete e junte ao molho de brócolis. Misture tudo muito bem, terminado assim o cozimento da pasta, em fogo médio para baixo. Caso seque muito o molho, junte uma concha pequena de água do cozimento da pasta, que é plena de amido e vai formar um molhinho bem cremoso, ainda com a panela no fogo. Eu junto sempre, gosto muito do resultado. Termine harmonizando todos os ingredientes, apague a chama do fogão, junte o orégano e misture delicadamente.
Leve a mesa e sirva com queijo pecorino ralado, preferencialmente, ou parmesão. Por aqui, o pecorino anda com os preços as alturas :(
Ciao amici! Bacio a tutti!



