A Santíssima Trindade é o casamento de sabor e aroma da cebola com o salsão e o pimentão verde, tudo bem picadinho. Gosto de acrescentar ao trio, talos picados de salsinha, apenas os talos, são perfumados e saborosos e algumas vezes alho, também picadinho. As folhas da salsinha eu acrescento ao final do cozimento, após apagar o fogo. E se o prato combina com coentro, eu gosto de misturar com salsinha, em quantidades iguais, pois acho que fica mais suave, sem que o coentro roube a cena do fantasma na famosa ópera.
Temperar pratos com a Santíssima Trindade é tradição na cozinha do povo Cajun da Louisiana. Lembram de New Orleans, uma cidade super famosa e turística? Sim, aquela do furacão Katrina. Fica na Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Os Cajun eram colonos de origem francesa, expulsos do Canadá (na Acádia que era uma colônia da Nova França), com forte influência das cozinhas francesa e espanhola. Além dos Cajun, outros povos também fazem uso da Santíssima Trindade.
Mapa dos EUA pra ver onde está localizado o estado da Louisiana. Imagem do google.
Pesquisando ou googleando, encontrei um prato chamado gumbo. Eu achei super apetitoso! Camarões belos, mamma mia!
O Gumbo (pronuncia-se gambo) é o prato mais marcante da culinária Cajun da Louisiana (sul dos Estados Unidos). É um guisado ou uma sopa grossa, geralmente com vários tipos de carne ou mariscos, que se come com arroz branco, podendo constituir uma refeição completa.
Gumbo - Fonte Wikipédia
Esta lentilha não é cozinha cajun e nem creole, apenas foi temperada com a Santíssima Trindade e, no prato, servida com uma fatia de ricota seca, defumada e apimentada. A composição com a ricota é minha ideia, pois gosto muito e nada mais é preciso, nem arroz. Só um fio de um bom azeite de oliva.
E acabei escrevendo uma novela para explicar a Santíssima Trindade rsrsrs. Agora, que a cozinha com suas tradições, costumes, histórias é a expressão absoluta de uma ou várias culturas não podemos negar. E ainda, o que uma mesa e suas cadeiras nos demorados almoços e jantares, poderiam contar, se falassem, sobre a história de uma família?
Portanto, eu sempre digo que as mesas e as cadeiras deveriam ser, obrigatoriamente, de madeira e maciça, para suportarem e transmutarem como uma velha árvore, firme e forte, absolutamente inabalável, a saga de uma família com suas felicidades, brindes, vozes emocionadas e inebriantes em altas celebrações ou mesmo na discussão descontrolada, em total desarmonia, onde todos falam ao mesmo tempo e não se entendem e, também, no silêncio da indesejada tristeza, muitas vezes representada por uma cadeira vazia! Ai gente, agora eu lembrei da música Cadeira Vazia do Lupicínio, acho linda e gosto de ouvir com a fadista portuguesa Mariza, quase a cappella - clique aqui para ouvir!
1/2 pacote de lentilhas, escolhidas e lavadas, 250 gramas
santíssima trindade bem picadinha (1 cebola pequena, 1/2 talo de salsão e 1/2 pimentão verde pequeno)
1 dente de alho bem picado (opcional)
1 folha de louro
folhas de tomilho e orégano
azeite de oliva
sal e pimenta preta para ralar na hora
fatias de ricota seca, defumada e apimentada ou não, conforme o gosto
Em uma panela (se estiver com pressa, use a de pressão e cozinha muito rápido) forre o fundo com azeite de oliva e quando aquecer, entre com a santíssima trindade e a folha de louro e misture algumas vezes. Aromatize com algumas folhas de tomilho, são super perfumadas. Quando a cebola estiver translúcida, junte o alho e após um ou dois minutos, entre com a lentilha, misturando tudo. Deixe refogar por alguns poucos minutos.
Complete com água, até a altura de dois ou três dedos acima das lentilhas, salgue a gosto e cozinhe até que fiquem macias, mas al dente.
Se for preciso, reduza o caldo em fogo alto, para que fique encorpado. Desligue a chama do fogão, rale pimenta preta e deixe descansando por 10 minutos.
No prato, sirva com uma fatia de ricota seca defumada, folhas de orégano e um fio de azeite.
Super leve e muito saboroso. Ciao!




