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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Gnocchi di Ricotta - O Diabo e as Mulheres





De maneira que, eu nunca acreditei na história que se conta, sobre Eva e o Diabo, no paraíso. O Diabo foi muito gentil com Eva, oferecendo uma doce e fresca maçã, após escutar a conversa entre ela e Lilith. Dizem que Lilith foi a primeira esposa de Adão. Mentira, mentira! Lilith nunca seria criada da costela de Adão, era muito a frente do seu tempo! 

Quando Adão pediu Lilith em casamento, ela disse que pensaria no assunto se eles continuassem morando em casas separadas e Adão apaixonado, aceitou. Conta a história, que Adão separou-se de Lilith - que nunca casou com Adão - quando esta rebelou-se contra o sistema patriarcal e, já naquele tempo, criou o primeiro movimento feminista. Adão nunca aceitou o modo de Lilith viver, já que ela incentivava a parceria entre os gêneros, favorecendo assim, a consciência individual, a igualdade e, consequentemente, a evolução da humanidade. 

Lilith, cansada da conversa com a enfadonha Eva, pois já profetiza o rumo que a humanidade tomaria, foi embora, tinha um jantar marcado com o trisavô de Bacos, o deus do vinho. Correu para o seu aposento real, onde as suas servas já a esperavam, para um banho com leite de cabras e pétalas de rosa mosqueta - potente anti-rugas e restaurador do brilho natural da pele, além de evitar estrias. A pele de Lilith estava ressecada, devido a exposição excessiva ao sol forte daqueles dias, durante longas caminhadas matinais, entre oliveiras e macieiras do Jardim do Éden, que estava longe de ser um paraíso.  

Já sei! Todos vocês pensavam que era Cleópatra, a bela e esperta rainha do Egito, quem inventou o banho com leite de cabra? Nã, naní, nânão! Foi Lilith, mas ela cometeu um erro, esqueceu de patentar a sua criação. E, como já disse, Cleópatra além de bela, era inteligente, falava seis idiomas, super antenada, logo tratou de juntar ao leite de cabra uma dose generosa de mel. O potente hidratante fez de Cleópatra a rainha mais famosa, bela e desejada até os dias de hoje. E Lilith, assim, ficou esquecida na história. 

E a cobra? Bem, esta rastejante criatura, estava enrolada no tronco da árvore ouvindo a conversa de Eva com Lilith, depois viu o Diabo chegando e colhendo uma maçã para Eva. A cobra pensativa, achou que o Diabo, em troca, pretendia conhecer os mistérios femininos. Mas Eva, que era boa, tanto que acabou conhecida como mãe da raça humana, tratou de colocar o Diabo sentadinho e tomou a tabuada dele, sem dó. E o Diabo, que cometeu erros na sabatina, acabou indo morar no mundo subterrâneo, sozinho. Com o passar dos anos, fez amigos, apaixonou-se por Perséfone e fez desta a sua rainha. Perséfone passou a morar com o Diabo, no reino de Hades, mas somente no outono e no inverno. Na primavera e verão, Perséfone, era a deusa das abelhas, e por vezes, emergia da terra, para abastecer os potes de mel de Cleópatra, que era muitíssimo exigente, perfeccionista e chata, como já perceberam. 

A cobra também mordeu Cleópatra, quando esta decidiu enrolar-se em um rico tapete, completamente nua, usando apenas duas gotas do famoso e sedutor perfume Chanel Nº 5, com a ajuda de seu servo Apolodoro e da exuberante Marilyn Monroe, que contou a Cleópatra todas as histórias donjuanescas de Júlio César, que corriam por todas as bocas, em Roma. Então, Cleópatra marcou um encontro com o galanteador romano e pediu ao fiel servo, que no dia, entregasse o tapete como um presente para Júlio César. "Ai de mim, Ai de mim, é preciso um gemido grego..." ou romano para finalizar o meu conto? Parafraseando Antônio Abujamra em Provocações - Programa de TV com entrevistas instigantes e provocativas, excelente, por sinal. 

Cleópatra e César por Jean-Léon Gérôme - escultor e pintor francês

Como impactar um líder romano poderoso, com esta expressão no rosto e postura corporal!?! Faça-me o favor senhor Jean-Léon Gérôme... Cleópatra daria uma bela gargalhada ao ver a tua obra! 





Quanta mistura, quanta confusão, de épocas, famosos, histórias! É, eu sei. Mas, o fato é que, quando somos o futuro de cada uma destas personagens, podemos juntá-las em uma única história, ou não, respeitando as suas atribuições. Na minha história, por exemplo, Cleópatra conheceu Marilyn. Eu penso que foi muito bem este encontro, pois ambas eram duas deusas, em muitos sentidos, certamente tinham muito a conversar. 




Júlio César, como um bom romano, certamente recebeu Cleópatra com um belo jantar. De início, tomaram um refrescante prosecco, com acidez equilibrada o suficiente para acompanhar uma seleção de salames, prosciutto, queijos - de leite de cabra, claro - e frutos secos.  

Depois um elegante tinto seco, para acompanhar gnocchi di ricotta com molho de tomates frescos e manjericão, bem leve e delicado, para não comprometer a performance do encontro. Esqueçam a sobremesa, apenas um cálice de licor de Mirto, o licor do amor. 


Vênus, a deusa do amor, carregava em sua cabeça, uma coroa com ramos de mirto, portanto, o licor do amor. O seu fruto é muito parecido com as bagas do mirtillo, observem o rótulo da garrafa, na foto acima.  

Agora... se o jantar fosse com Marilyn, Júlio César teria servido champanhe o suficiente para os brindes iniciais e para Marilyn banhar-se, pois ela não gostava de leite de cabra, como Cleópatra. Marilyn sempre hidratou sua pele com champanhe. E eu não teria como deixar aqui uma receita, porque obviamente, Júlio César seria arrebatado por Marilyn, sem tempo para um pratinho de gnocchi, ahahaha. 

Já Cleópatra, que era uma negociadora obsessiva, faria do jantar, uma ferramenta para traçar o seu destino com o enamorado Júlio César e, só depois, com todas as arestas da negociata aparadas e sem permitir que Júlio César percebesse que a linha de sua vida já estava completamente traçada, ela, Cleópatra, acabaria com o jantar, em um último brinde com o tal elegante tinto seco, lançando a taça real de estanho contra a parede e, com um gemido arrebatador, aí sim, ela levaria o romano César para o tapete perfumado, aquele que ela o presenteou. 


O que faz o gnocchi di ricotta ser inesquecível são dois segredos: o primeiro é você gostar de ricota, claro, e o segundo é a ricota ser de excelente qualidade. Infelizmente, as ricotas de supermercado não são cremosas e nem saborosas.


No Mercadão da Cantareira, em São Paulo, há a barraca do Roni, lá pode-se encontrar ricota parecida com a italiana. Gosto da ricota Fresca Extra. 


Comece pelo molho de tomates: 

2 latas de pomodori pelati,
3 dentes de alho cortados em lâminas, 
manjericão picado grosseiramente ou rasgado com as mãos,
6 colheres de sopa de azeite de oliva, 
meia pimenta dedo-de-moça, fatiada finamente ou flocos de pimenta calabresa, 
sal e pimenta preta para ralar. 

Aqueça o azeite em uma frigideira grande, frite ligeiramente o alho e a pimenta dedo-de-moça. Em seguida, junte as duas latas de pomodori pelati, incorporando tudo. Com a ajuda da colher, quebre os tomates, mas não muito, para que o molho fique grosso, em pedaços. 

Deixe refogar um pouco, até secar boa parte líquida dos tomates, salgue e apimente. Desligue a chama do fogão e junte o manjericão. Misture tudo, tampe e deixe descansando. 




Agora, faça os gnocchi:  

225 gramas de ricota fresca, 
200 gramas de farinha de trigo, 
3 gemas, 
30 gramas de parmesão ralado,
noz-moscada e pimenta preta, para ralar na hora e 
sal a gosto. 

Em uma vasilha, junte a ricota, as gemas, o parmesão, rale um pouco de noz-moscada e pimenta preta. O sal, use com muito cuidado, pois a ricota e o parmesão já são salgados. Misture tudo com um garfo e junte a farinha aos poucos, começando com o garfo e depois com as mãos. Não coloque toda a farinha de uma vez, a quantidade vai depender do tipo de ricota. Excesso de farinha, deixam os gnocchi duros. Amasse ligeiramente a mistura, até formar uma bola homogênea.  

Enfarinhe a bancada ou mesa e faça os rolos para formar os gnocchi. Corte os rolos em pequenas fatias e passe no riga gnocchi ou no garfo, para formar as ranhuras. As ranhuras tem a finalidade de reter o molho, observem nas fotos dos gnocchi. Passe o dedo em um fio seco de espaguete e observe como não é liso, lembra um pouco uma suave lixa. Este trabalho é feito para ajudar a segurar o molho na pasta ou no gnocchi. 

O riga gnocchi é uma peça que não pode faltar em uma vera cucina italiana, mas passar o gnocchi no garfo, faz um efeito muito parecido.

 Riga Gnocchi - Imagem by Google

Arrume os gnocchi em um prato ou bandeja enfarinhados, para não grudarem. 

Leve uma panela com água a ferver. Após ferver, coloque os gnocchi aos poucos e, quando estes emergirem, estão prontos. 

A este ponto, reaqueça a frigideira com o molho e vá juntando os gnocchi cozidos - mantenha a chama no mínimo - com o auxílio de uma escumadeira. Misture ao molho delicadamente. Siga assim até terminar todos os gnocchi. É importante entender, que os gnocchi, após cozidos, soltam um pouco de líquido, portanto, o molho deve ser sempre um pouco mais grosso que o normal. Molho ralo para gnocchi não dá muito certo, este é o segredo, mesmo com gnocchi de batata. 

Ao servir a pasta na mesa de refeições, levo na frigideira ou wook. Sou um pouco rústica aqui em casa, no dia-a-dia, gosto desta simplicidade. E não esqueça de juntar ao prato de gnocchi, una bella spolverata di pecorino o parmigiano grattugiati - uma bela porção de queijo pecorino ou parmesão ralados. 

Esta receita é da mamma do Gennaro Contaldo - nascido em Minori, na Costa Amalfitana, Itália. É um sucesso há tempos na minha mesa, pois é muito fácil de fazer, além de muito saborosa. Dá bem menos trabalho em relação ao gnocchi de batata

Ciao! 

Uma das flores do meu jardim!