Era um domingo, final de outono, o dia amanheceu frio e úmido, duas mantas me aqueciam na cama. Eu estava feliz com o par de meias quentinho, meias bem grossas e apropriadas para inverno, que havia comprado em uma liquidação, em um tempo que podíamos andar pelas ruas com tranquilidade, sem máscaras e receios. Naquele tempo, podia-se passar o dia inteiro fora de casa sem qualquer preocupação. Os cafés estavam abertos e exalavam perfume de pão de queijo, que embora seja especialidade dos mineiros, em Sampa pode ser encontrado com muita facilidade e na maior parte das vezes, são deliciosos. Gosto daqueles maiores, com miolo cheio de buraquinhos, a casca firme e bem crocante, moreninha, dando todas as indicações de que foi assado no ponto certo. Pão de queijo molengo, deformado ou afundado, branquelo, ninguém merece!
O maridone tem uma neta que mora em Minas Gerais, quando vamos visitar, chegando no Aeroporto de Confins, tem um café com o pão de queijo que adoro, este 👇
Saí da cama, abri a janela e pelo vidro, observei que as árvores estavam molhadas, bem como a rua. Muito chuva, a noite inteira, segundo meu marido, que acorda até com o som das asas do pernilongo. Gosto de levantar cedo, há um silêncio no ar que me encanta. Quando o céu está cinza e molhado, nem o som dos passarinhos pode ser escutado. Tudo está em repouso e relaxado. Para um mundo barulhento, apreciar esta quietude, é um privilégio, uma ode à paz!
Ode à paz na minha casa é o quando o marido é um tudo de felicidade, capricho e parceria! Olhem só o bonitão usando a furadeira, sem fazer sujeira ahaha! Eu peço ele em casamento todos os dias!
Mas, do que eu sinto imensa saudades nesta pandemia? De tomar café da manhã nas padarias de São Paulo. Esta cidade tem uma coleção gabaritada de padarias, para todos os gostos. Nada pode ser melhor do que as padarias de São Paulo. Quando viajo, é a primeira coisa que sinto falta, porque em uma padaria de São Paulo, você vai achar o que quiser. Café da manhã, almoço e jantar, lanches, merendas, cafezinhos, confeitaria, comprinhas de necessidade, muitas vezes até minifeira! Algumas padarias funcionam 24 horas e na época de inverno, tem o famoso Buffet de Sopas completo, com pães artesanais, queijos, sobremesas, etc., para degustar "a la vontè". Tem até Padaria Boutique, para quem gosta de apreciar delícias importadas em geral: cafés, salames, presuntos, licores, massas, vinhos, queijos, etc. Mas eu me contentaria com um "espresso" bem tirado e um pão francês estalando de crocante, canoa (sem miolo), com manteiga aviação, depois vai para a chapa sem amassar ou prensar e "na saída", passa-se requeijão cremoso e o mundo pode acabar. Super diet, vai uma foto para apreciarem:
Mariana está uma mocinha, iniciou o processo da troca dos dentinhos. Este ano não teve a festa do seu aniversário, por conta da pandemia. Os pais explicaram e ela compreendeu bem, foi tranquilo. O aniversário estava planejado, com tudo pago desde janeiro, para acontecer em final de março, mas foi cancelado. Fez 6 anos, está sentindo falta da escola, dos amiguinhos. Agora faz as atividades escolares em casa e mantém esta parte em boa organização diária.
Hoje vou apresentar as netas do meu marido, Laura é mineira e tem 6 anos, Manuela é carioca e tem 1 ano. Aguardamos para novembro a chegada da Raíssa. E assim, formamos um belo clubinho feminino de belezuras, todas estão bem, com saúde.
No carnaval, estivemos em Holambra, cidade no interior de São Paulo. Na época da Segunda Guerra Mundial, muitos imigrantes holandeses se estabeleceram na região e mais tarde foi fundada a cidade, que recebeu o nome de Holambra, a junção dos nomes: Holanda, América e Brasil.
É uma cidade graciosa, o povo muito tranquilo e hospitaleiro. Há uma rua onde as construções mantém fachadas que lembram um pouco aqueles pequenos prédios de Amsterdam, pelo menos tentam, observem na foto:
A vida gastronômica é interessante. Restaurantes sempre cheios, sendo as mesas nas marquises as mais disputadas. Gostamos de chegar cedo, sempre que possível, de forma que tudo fica mais confortável.
O Museu Histórico de Holambra é uma visita que recomendo muito, há uma casinha bem ao lado do museu que retrata como era a vida dos imigrantes, na época em que chegaram ao Brasil.
A guia do museu, uma senhora muito simpática e muito alta para os padrões das mulheres brasileiras, contou toda a história da chegada dos pais ao Brasil, se fosse possível eu ficaria o dia inteiro ouvindo, havia uma riqueza histórica imensa naquelas palavras. A foto da família é acervo do museu e a guia é a garotinha bem à esquerda, loirinha, cabelinho curto 👇
É acervo do museu um fogão holandês que achei bonito, também serve como aquecedor, foi doado para o museu pela Família Eltink 👇
Ferros para assar Waffles 👇
E, entre outros objetos da vida diária, um Cortador de Pão 👇
Na foto que segue, tradição holandesa no prato: salsichão (estava excelente, sabor suave, delicado), mostarda escura e salada de batata com ovos cozidos temperados com maionese e mostarda, para quem gosta, um luxo de sabores simples e muito bem combinados! As cervejas um caso à parte, aproveitamos muito.
A gastronomia holandesa é completamente similar à alemã, mas algumas delícias aparecem com fortes influências tailandesas, já que Holanda e Tailândia estabeleceram relações comerciais. Correção gentilmente enviada pela Mariette do blog Mariette's Back to Basics: fortes influências da Indonésia (e não Tailândia, como eu escrevi). A Indonésia foi colonizada pelo Holandeses por cerca de 350 anos - vide comentário abaixo da querida amiga, o qual agradeço muito). Provei iscas de frango empanadas com gergelim, servidas com molho adocicado a base de soja, estavam deliciosas.
Confeitaria holandesa, humm... não agradou, porque achamos os doces extremamente açucarados e pesados. Lembrando que falo aqui sobre doces de Holambra e não da Holanda. Provamos em confeitaria e em restaurantes, nada agradou. A Zoet en Zout (tradução do google: Doce e Sal), conhecida como a confeitaria do lago, é um local muito agradável, pelo belo gramado, lago e pela decoração, por sinal, belíssima! Sentamos em uma mesa no gramado, como mostro na foto abaixo, pedimos doces, água e café, foi um momento bem relaxante, aproveitamos.
Confeitaria holandesa, humm... não agradou, porque achamos os doces extremamente açucarados e pesados. Lembrando que falo aqui sobre doces de Holambra e não da Holanda. Provamos em confeitaria e em restaurantes, nada agradou. A Zoet en Zout (tradução do google: Doce e Sal), conhecida como a confeitaria do lago, é um local muito agradável, pelo belo gramado, lago e pela decoração, por sinal, belíssima! Sentamos em uma mesa no gramado, como mostro na foto abaixo, pedimos doces, água e café, foi um momento bem relaxante, aproveitamos.
Tivemos o prazer de apreciar esta instalação artística em uma bela alameda no centro de Holambra, em uma noite, após o jantar. Fiz um vídeo, pois o efeito é muito bonito:
Agora, estamos na parte mais alta do Moinho Povos Unidos, também uma visita interessante, uma aventura na verdade.
Cliquem para ver o vídeo do moinho:
Porém, não recomendo a visita ao moinho para todos, porque as escadas não são fáceis e para descer, puxa... considero até um pouco perigosa. É muito inclinada 👇
Cliquem para ver o vídeo do moinho:
Porém, não recomendo a visita ao moinho para todos, porque as escadas não são fáceis e para descer, puxa... considero até um pouco perigosa. É muito inclinada 👇
Holambra termina aqui e como é a cidade das flores, deixo algumas que fotografei 👇 comprei um vaso com cactos, lindos! Amo cactos! E até agora estou acertando nas regas, pois afogava todos.
E receita vai para os amantes das delícias do mar - Spaghetti al Sugo Nero di Seppia 🥂🦑
Quando estive em Veneza, provei o "nero di seppia" e amei, que é a tinta da lula. Que delícia! Degustei com pasta e com polenta.
Um dia encontrei sachês de "nero di seppia" em um mercado de produtos importados. Comprei imediatamente, preço muito acessível, tendo em vista ser importado. Pode ser adquirido, também, em lojas online. É este, um sachê dá perfeitamente para duas pessoas:
Tudo muito fácil e rápido de fazer. O espaguete é branco, de grano duro, digo isso, porque tem pastas que são negras, sendo que a pasta já vem com o "nero di seppia" na composição. Cuidado, porque algumas pastas usam corantes.
Wok no fogo suave, azeite de oliva, alho pequeno ralado, deixe fritar sem escurecer, na sequência rodelas de pimenta dedo-de-moça, depois tomates frescos e maduros em pedaços ou pedaços de pelati (sem exagerar, observe na foto, não tem tomates em abundância), refogar um pouquinho e juntar a lula em pedaços. Hora de salgar, sem exagerar, porque os frutos do mar já são salgados naturalmente. Quando a lula pegar cor, juntar um copo de vinho branco seco e seguir até ficar macia (tampe a panela), aproximadamente meia hora, fogo médio/suave, mexendo algumas vezes. Sem deixar o molho secar, junte o sachê de "nero di seppia", misture, apague a chama e termine com salsinha e pimenta do reino ralada. Neste tempo, a pasta que já está cozida (você deve calcular o tempo para cozinhar a pasta em paralelo com o molho, terminado dois minutos antes do tempo indicado no pacote), vai para a panela com o molho de "nero di seppia" e sem precisar escorrer, assim: pegue a pasta com um pegador direto para a panela, misture tudo em fogo baixo e após dois minutos, está pronto. Agora você pode terminar o vinho branco seco que abriu para fazer este prato 🥂🍾 👌
Nas fotos que seguem, apresento o "nero di seppia" que fiz com mexilhões, mas neste caso, a tinta da lula estava na pasta, que já era negra, o molho não. Em Veneza a experiência foi com o "nero di seppia" fresco, aquela bolsinha com tinta dentro da lula foi estourada na confecção do prato, então, caríssimos, muito melhor ainda! Mas tudo está valendo, eu gosto das diversas experiências que a vida oferece, só agradeço e aproveito cada pedacinho com felicidade.
Foram "Linguine do Grano Duro e Nero di Seppia", vieram de presente para mim, de Pisa/Toscana. O molho foi feito com azeite de oliva, alho, mexilhões, pimenta do reino ralada no momento, umas rodelas de pimenta dedo-de-moça, salsinha, vinho branco seco e pouquíssimo sal. Observem nas fotos, a apresentação é mais bonita, até porque, o mexilhão na concha tem uma bela aparência:
O segredo: quando você for abrir as conchas do mexilhão, um processo simples e rápido, coar e reservar a água do cozimento, que está completamente ampla de sabores. E vai ser usada para fazer o molho deste prato, sublime! Una vera poesia!
Termino a minha conversa por aqui, deixando a todos um forte abraço, beijinhos, carinhos e muito obrigado a todos os queridos que preocupados comigo, escreveram pedindo notícias. Está tudo bem.
Desejo o melhor para todos, incluindo familiares e queridos. Saúde para todos nós!




























































