Até parece que estou de férias, pois ando tão ausente da blogosfera. Sim, estou no modo pausa ou mais lenta. Mesmo em pleno inverno, passeei por aí, visitei amigos - virtuais e reais, degustei com o maridão deliciosas feijoadas nos dias mais frios. Fiz caminhadas e fui apreciar músicos de rua na Paulista, a avenida mais famosa de São Paulo ou Sampa, como nós paulistanos, carinhosamente chamamos esta megacidade, que na verdade é uma grande mãe. Gente de todos os cantos deste planeta, habita esta barulhenta, agitada e mal cuidada cidade. Mas eu gosto desta mãezona, nasci do ventre dela, no bairro de Pinheiros, na rua Joaquim Antunes, no ano de 1963.
Nos últimos finais de semana, com a temperatura bem mais quente, curtimos um churrasco feito pelo maridão e um primo. Aqueles churrascos demorados, para uma tarde inteira, regado com bons tintos secos, todos selecionados pelo querido primo, que sabe muito bem dar conta deste compromisso. Nós agradecemos pelo dia, pelos sorrisos, alguns transformados em gargalhadas e muito carinho!
E pelos dias de julho e agosto, andei fazendo algumas comidinhas especiais, pois foram receitas de amigos queridos. Cozinheiros de 'mão cheia' para ninguém botar defeito. Uma turma nota 10.000, desta nossa rede da blogosfera e, também, um vlogueiro do Youtube.
Começo pela querida Kasioles, editora do blog
Los pucheros de Kasioles. Eu sei, todos conhecem esta simpática e elegante mulher, é amiga comum de muitos que navegam pelas minhas águas. Aprendi com Kasioles a fazer um prato tradicional da Cataluña, uma verdadeira explosão de sabores e muito fácil de fazer. É a
Escalivada! Também
aqui.
Foi em uma noite fria a primeira vez, acompanhou pão rústico feito em casa e um bom tinto seco. Mas começamos com um caldo de abóbora, em absoluta união estável com o peito de frango e o espinafre. As bodas envolvendo três cônjuges (abóbora, espinafre e frango), embora incomum, acontecem mais do que imaginamos. E neste caso, foi em plena harmonia, no prato! Sem modéstia, estava espetacular, sabores delicados.
Fiz a Escalivada várias vezes. É ótima em qualquer temperatura, pode-se comer fria. Certa manhã, estava fora de casa, resolvendo pendências e cheguei por volta das 14 horas, sem almoço e foi a Escalivada (sobra do jantar, do dia anterior) o meu delicioso lanche. Fiquei feliz e satisfeita!
Em uma assadeira, untada com azeite, eu ajeitei 1 pimentão vermelho, 1 pimentão amarelo, 1 berinjela grande, 1 cebola média cortada em 4 partes e uma cabeça de alho. Reguei com azeite de oliva, espelhei umas pedrinhas de sal grosso e foi para o forno, a 180º graus até ficarem bem assados. Mais ou menos 1 hora, pode ser mais, depende do forno. Na metade do tempo, juntei os tomates e virei os legumes. A Kasioles publica as receitas com sequência de fotos, tipo passo a passo, vai lá mais acima, que linkei o blog dela.
Com os legumes em temperatura mais para morna, comecei a tirar a pele dos pimentões e da berinjela, reservando todo o suco dos legumes, que guarda muito sabor e aroma. Portanto, fiz este trabalho em um prato fundo. Cortei com as mãos ou com a faca, pimentões e berinjela em tiras finas.
Terminei tirando a pele dos tomates, espremendo as cascas dos alhos e tirando a casca da cebola.
Enquanto os legumes assavam, cozinhei algumas batatas no vapor e na parte debaixo da panela, 2 ovos seguiam o cozimento na água. Depois cortei as batatas e os ovos em rodelas, observando uma espessura não tão fina. Não cozinhar muito a batata, para que ao cortar, não desmanche.
Reservei azeitonas negras sem o caroço, alcaparras e anchovas ou aliche, em um único prato.
Em um prato de servir, montei a escalivada assim:
1 - rodelas de batatas,
2 - pedaços dos tomates e das cebolas,
3 - tiras da berinjela, depois salguei,
4 - tiras de pimentão vermelho e amarelo, em camadas, na diagonal,
5 - anchovas ou aliche, continuando o trabalho em diagonal,
6 - enfeitei com os ovos cozidos em rodelas,
7 - continuei enfeitando com azeitonas e alcaparras,
8 - coei todo o suco reservado dos legumes assados, temperei com azeite de oliva, aceto balsâmico, pouquíssimo sal e pimenta negra ralada, depois reguei carinhosamente por toda a escalivada e
9 - muito cuidado com o uso do sal, pois as anchovas, azeitonas e alcaparras são salgadas. Lembre-se que a Culinária da Catalunha é de origem mediterrânea, portanto, o sal é apenas uma aparição. O que conta mesmo, é o sabor dos legumes, como por exemplo, a doçura dos pimentões e da cebola, o leve sabor picante da berinjela, a acidez dos tomates, a intensidade das azeitonas, anchovas e alcaparras, portanto, como já disse, uma explosão de sabores. Batatas e ovos fazem as vezes de um colo, um bercinho fofo e quentinho.
O alho transformou-se em um creme delicioso, aromático, com leve toque defumado, que passamos nas fatias do pão rústico, para acompanhar a escalivada. Foi uma manjar digno do Olimpo. Zeus, assim meio sem jeito, com uma risada amarelada, pediu um bocado e depois, o endereço eletrônico da Kasioles :))
Não precisa de mais nada? Precisa sim! É preciso conhecer amigos que são cozinheiros de mão cheia, onde na blogosfera que formamos em rede, não faltam. Há tantos que sigo e bato palmas pelas suas produções. E aprendo com eles. E ainda, é uma gente que transborda simpatia e deliciosa amizade.
Tutti buona gente !
Pausa para um café... este é para você.
O inverno, neste ano, não foi assim tão severo. Alguns dias de muito frio, mas nada como os invernos de alguns anos atrás. Mas fiz muitas sopas e caldos. E a receita de Caldo Verde que elegi para a minha mesa, aprovadíssima pelo maridão, foi a do
Necasdevaladares - receitas caseiras, um amigo português que faz delícias, todas publicadas em vídeos no Youtube.
A cozinha do Necas, ora é simples, ora é rústica, também pode ser sofisticada. Mas, sobretudo, robusta. É o tipo de cozinha da minha família, farta e ampla de personalidade. Os pratos não passam desapercebidos.
Caldo Verde! E como é fácil de fazer! E como é saboroso e nutritivo!
4 batatas (450/500 gramas) cortadas em rodelas grossas, 2 cebolas médias em pedaços grossos e 2 dentes de alhos partidos, todos para uma panela com água fervente, até ficarem bem cozidos (cerca de 20/30 minutos). Depois mixei tudo e fez-se um creme. Juntei um quantidade generosa de azeite de oliva, rodelas de linguiça portuguesa, salguei e juntei 200 gramas de couve manteiga, sem o talo mais grosso e cortada finamente. Tampei a panela e deixei cozinhando, até a couve ficar al dente e o caldo na consistência desejada. Provei para conferir o sal e finalizei com pimenta preta relada no momento. Deixei descansando uns 10 minutinhos e começamos a degustação deste caldo delicioso, fácil e muito saudável.
As receitas no Necas, também foram a inspiração para estas postas de bacalhau (foto abaixo), assadas com batatas , sobre cama de cebolas, alhos, pimentões vermelhos e amarelos. Servidas com ovos cozidos, azeitonas e alcaparras,
aqui!
Digo sempre inspiração, porque temos a nossa própria maneira de executar um prato, mas as inspirações vinda dos amigos, são como poesias gastronômicas.
E as postas de bacalhau foram servidas com brócolis cozidos no vapor, al dente e depois perfumados com alho e azeite na wok, só para assustar os floretes e está pronto. Ahh, uma pitadinha de sal.


E para a sobremesa? Sim, esta etapa foi coroada com uma delícia que aprendi com a Nina do blog
O meu pensamento viaja. A querida Nina é uma mulher belíssima, elegante e decidida. É fato, o que ela quer fazer, ela faz! Temos muitos amigos comuns, ela também também faz parte desta nossa rede na blogosfera.
E as suas produções? Não, não se limitam, como eu, nas artes da boa cozinha. Quem não conhece o blog da Nina, precisa conhecer: trabalhos manuais artísticos, gastronomia, decoração, moda, jardinagem, viagens... enfim, é um blog diverso, de amplo bom gosto, que caminha do tradicional ao moderno. Para não perder!
Eu fiz um Bolo de Limão que ela publicou no
link acima. É um bolo tão perfumado, tão saboroso. Já fiz muitos bolos de limão, que adoro e nenhum havia me conquistado ou melhor, me arrebatado como este feito pela Nina. O visual me encantou e é muito fácil de fazer. Fiz algumas pequenas alterações, porque eu não tinha iogurte, que substituí por leite integral e juntei uma colher de semente de papoula.
Enfim, todas a minhas receitas inspiradas, por vezes, acabam por alteradas. Faz parte da vida prática, aprendi com a minha mãe. Temos que ajustar, caso falte algum ingrediente ou para atender o gosto dos comensais.
Amiguinhos, é um bolo espetacular, a textura é incrível! Feito para acompanhar um café ou chá, a qualquer hora. É um mimo, um carinho e muito perfumadinho! E não é um bolo seco.
Raspas de 1 limão siciliano - sem a parte branca, que é amarga,
1 colher de sementes de papoula,
150 gramas de açúcar,
3 ovos,
200 gramas de farinha de trigo - eu gosto de peneirar,
120 ml de leite integral,
80 ml de óleo - usei girassol,
pitada de sal.
1 colher de chá (rasa) de fermento para bolo e
açúcar de confeiteiro para polvilhar.
Bati com um fouet. Primeiro os ovos, perfumei com as raspas de limão, depois o açúcar, depois o óleo, depois o leite, a farinha de trigo, pitada de sal e a semente de papoula. Não bati muito, inclusive os ovos, apenas espumei levemente. Por último, o fermento e bati ligeiramente.
Assei em forma com furo no meio, untada e enfarinhada, a 180º, em forno pré-aquecido até dourar. Desenformei morno e polvilhei açúcar de confeiteiro. É só, pouco para ser feliz!
No dia seguinte, eu e o maridão, no café da tarde, passamos em duas fatias cream cheese e por cima, geleia de amora. Cheesecake fake (falsa)? Sei lá, mas acho que está mais para food porn (pornografia alimentar), provocativa e escandalosa ahahaha... porém a apresentação ficou delicada, o sabor delicioso, longe daquelas comidas ogras, tipo hambúrgueres de 3 andares.
E foi tão bom este bolo de limão, que entrou para a celebração do aniversário de 8 anos do blog da Rosélia, o
Espiritual-Idade. Todos conhecem a Rosélia, esta nossa amiga que inspira e espalha amor por onde passa. A Rosélia vive em amorosidade e em estado genuíno de Gratidão! Sábia em profundidade!
E para a Rosélia, os meus votos de vida longa ao Espiritual-Idade. As orquídeas são do meu jardim, cultivadas pelo meu marido.
Um beijinho a todos e sejamos eternamente felizes!